Su Shi no Exílio: Fazendo o Melhor do Banimento

Su Shi (苏轼, Sū Shì, 1037–1101) foi exilado três vezes. A primeira vez, foi enviado para Huangzhou (黄州, Huángzhōu), uma cidade menor no Yangtze. A segunda vez, para Huizhou (惠州, Huìzhōu), no profundo sul subtropical. A terceira vez, para a Ilha de Hainan (海南, Hǎinán) — que no século XI estava tão longe da civilização quanto se podia ir sem cair da borda do mundo conhecido.

Cada exílio deveria quebrá-lo. Nenhum deles conseguiu. Em vez disso, Su Shi escreveu algumas das maiores poesias e prosas da história chinesa, inventou (ou pelo menos popularizou) um método de cozinhar carne de porco, praticou o budismo e o taoísmo com igual entusiasmo, fez amizade com agricultores e pescadores e, de modo geral, se comportou como se ser banido para os confins da terra fosse um pequeno inconveniente, em vez de uma catástrofe que acabaria com sua carreira.

Essa é a lenda de Su Shi, e como a maioria das lendas, é em sua maior parte verdadeira. Mas a realidade é mais complicada e interessante do que a versão otimista sugere. Su Shi sofreu no exílio. Ele estava com medo. Sentia falta de sua família. Pensava que poderia morrer em Hainan. A poesia que ele escreveu durante esses anos é grandiosa não porque ele era feliz apesar de tudo, mas porque ele era honesto sobre toda a gama do que sentia — e o que ele sentia incluía alegria, terror, tédio, maravilha, solidão e uma recusa teimosa em deixar que as circunstâncias o definissem.

O Primeiro Exílio: Huangzhou (1080–1084)

Su Shi chegou a Huangzhou em fevereiro de 1080, tendo escapado por pouco da execução. A acusação era "difamar o imperador através da poesia" — o famoso Julgamento da Poesia da Varanda do Corvo (乌台诗案, Wūtái Shī'àn), no qual seus inimigos políticos escarafuncharam seus poemas em busca de críticas ocultas ao governo. Eles encontraram o suficiente para que ele fosse preso, encarcerado por 103 dias e condenado ao exílio.

Huangzhou não era terrível — era uma cidade real com pessoas reais — mas Su Shi não ocupava nenhum cargo oficial e tinha quase nenhuma renda. Foi-lhe dado um pequeno pedaço de terra na encosta oriental de uma colina, que ele cultivou pessoalmente. Ele se nomeou "Dongpo" (东坡, Dōngpō, "Encosta Oriental"), e o nome pegou. Pelo restante da história chinesa, ele seria conhecido como Su Dongpo.

Os anos em Huangzhou produziram algumas de suas obras mais famosas:

念奴娇·赤壁怀古 (Niàn Nú Jiāo · Chìbì Huáigǔ) — Nostalgia do Red Cliff

> 大江东去 (dà jiāng dōng qù) > 浪淘尽 (làng táo jìn) > 千古风流人物 (qiāngǔ fēngliú rénwù)

O grande rio flui para o leste, suas ondas lavaram mil anos de figuras brilhantes.

Essa abertura é uma das mais reconhecidas na literatura chinesa. Su Shi está de pé em Red Cliff (赤壁, Chìbì) — ou o que ele acreditava ser Red Cliff, o local da famosa batalha dos Três Reinos de 208 d.C. O rio flui para o leste. O tempo flui com ele. Os heróis do passado se foram.

O poema continua a descrever Zhou Yu (周瑜, Zhōu Yú), o jovem general que venceu a Batalha do Red Cliff, e então faz uma virada para a introspecção:

> 故国神游 (gùguó shén yóu) > 多情应笑我 (duōqíng yīng xiào wǒ) > 早生华发 (zǎo shēng huá fà) > 人生如梦 (rénshēng rú mèng) > 一尊还酹江月 (yī zūn hái lèi jiāng yuè)

Sobre o Autor

Especialista em Poesia \u2014 Tradutor e estudioso da poesia Tang e Song.

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